Carta aberta sobre o trabalho desta oficina e sobre aquilo que recuso
Estimado modelista,
Escrevo-lhe antes de qualquer telefonema porque me parece mais leal explicar por escrito o que acontece dentro desta oficina, quanto custa em EUR cada tipo de intervenção e, sobretudo, qual é o trabalho que nunca aceitarei, de modo que ninguém perca uma tarde a trazer material que eu teria de devolver intacto.
O serviço corrente da Oficina Via Digital é a cablagem modular de alimentação DCC para maquete até quatro módulos, executada com barramento contínuo de secção generosa, derivações soldadas em vez de ligadores de pressão e cada troço identificado, para que uma ampliação futura não obrigue a desfazer aquilo que hoje fica montado. Instalo descodificadores DCC com ficha NEM em locomotiva, verificando primeiro o estado do colector, das escovas e do consumo em vazio, porque um descodificador assente sobre um motor cansado limita-se a adiar a avaria e a transferi-la para o componente mais caro do conjunto. Preparo também ligações destacáveis entre módulos com fichas multipinos, numeradas e repetidas dos dois lados da junta, para que a maquete possa ser transportada, arrumada e novamente ligada sem consultar esquemas nem adivinhar cores de isolamento. Depois de cada instalação faço a configuração de CV e o teste de circulação completo, com arranque lento, inversão, paragem progressiva e passagem sobre as juntas, e entrego por escrito a lista dos valores que ficaram gravados no descodificador.
Quanto aos valores, a cablagem modular é orçamentada por módulo e por número de derivações, a instalação de descodificador com ficha NEM tem preço fixo quando a locomotiva já traz o conector de origem, as fichas multipinos entre módulos são orçamentadas por junta preparada e a configuração de CV com teste de circulação acompanha sem custo qualquer descodificador instalado nesta bancada. O prazo normal de uma locomotiva é de alguns dias úteis, o de uma maquete de quatro módulos depende da altura a que consigo trabalhar sob o tabuleiro, e em ambos os casos o orçamento é comunicado por telefone antes de abrir a caixa ou de cortar o primeiro fio.
O trabalho que não aceito
Não desloco a oficina a lado nenhum, o que significa que não faço instalações em casa do cliente, em clubes, em salas de exposição nem em feiras de modelismo, por mais perto que a sala fique da Rua Elias Garcia. Esta recusa não é comodismo e vale a pena explicá-la: soldar uma derivação de barramento ou um descodificador miniatura exige bancada fixa, fonte de alimentação com limitação de corrente, lupa com iluminação própria e um ferro de temperatura estável, e nenhuma mesa emprestada no meio de uma exposição oferece essas quatro condições ao mesmo tempo. Pela mesma razão não aceito maquetes construídas em definitivo contra uma parede, que não possam ser desmontadas em módulos e transportadas até cá, porque trabalhar deitado num corredor, com a cablagem fora do alcance da vista, produz ligações que ninguém poderá verificar nem reparar mais tarde.
Se o seu material puder ser trazido até à bancada, em módulos que caibam num carro ou em locomotivas dentro das respectivas caixas, telefone para o número que encontra em cima e em baixo nesta página e descreva o que tem, quantos módulos pretende alimentar e que descodificador comprou, porque com essas três informações consigo dizer-lhe ao telefone, com honestidade, se vale a pena marcar a entrega.
Com os melhores cumprimentos,
Tiago
Contacto directo com a oficina
Telefone
Atende quem trabalha na bancada, pelo que há períodos em que o telefone fica com o som desligado e a chamada é devolvida assim que a soldadura em curso termina.
Correio electrónico
Morada da bancada
Rua Elias Garcia 86 R/C ESQ
2700 Lisboa
Portugal
Horário
A entrega e o levantamento de material fazem-se de segunda a sexta por marcação telefónica prévia, para que nunca encontre a porta fechada nem tenha de esperar com uma locomotiva na mão.